Impressão 1/3
Guarulhos, Tatuapé, República, centro de São Paulo. Fui pra lá rumo a um feriado cultural, com os metrôs e ônibus fazendo a vez de guias, descortinando uma face da cidade que a gente como turista muitas vezes deixa de conhecer. É o caso das redondezas da Praça da República, o centro pode sim ser sujo e malvado. Lá, o craque é o brinquedo das crianças, a montoeira de lixo espalhada é presença marcante na paisagem assim como as pessoas que por ali dormem, sem contar os gritos sombrios pela madrugada, o mau cheiro e a constante sensação de estar sendo seguida, observada por alguém não muito legal.
Faz parte conhecer este lado, São Paulo não é só o chiquê dos Jardins, a boemia da Vila Mada, é gente como a gente que tenta sobreviver em situações muito longe daquelas que vivemos. Daí então, me pergunto: aqui estou eu tomando uma bela xícara de café quentinho, com um computador bacana numa sala colorida, mas o que fazer com relação a essa outra face “descoberta”?
Por mero acaso li um texto essa semana que falava da nossa generosidade, a forma com que nos relacionamos com as outras pessoas, por exemplo, será que aquele cara que se aproximou na rua não merecia um olá educado? A primeira impressão é sempre de que “só pode ser um sujeito mal encarado pedindo alguma coisa”.
Faz um tempo fomos abordados na rua por um cara que poderia se encaixar na descrição, baixamos a guarda, a conversa estava agradável, sincera acima de tudo, e lá foi ele embora feliz com uma blusa de moletom e um pão embrulhado num guardanapo. E foi ai que me dei conta de que se fizermos ao menos o que está ao nosso alcance, teremos começado e depois, porque não aumentar mais e mais as esferas em que atuamos?
Fiquei remoendo sobre esta experiência em São Paulo, da sensação de estar sendo seguida, deixamos até de viver nosso espaço público. Por que não colocar um pouco mais dessa “abertura” no dia a dia?
Pois é, talvez eu tenha ficado na mesma, mas se você chegou até o fim desse texto, nada além de agradecer sua generosidade em me acompanhar nesse pensamento ainda bastante aberto.






Vivemos cada dia mais cercados pelo medo e mais distantes das pessoas. É muito boa essa tua reflexão de como alterar o nosso olhar preconceituoso.
Dizem que os olhos são os espelhos/portais para a alma. Talvez, se olharmos mais nos olhos e menos na máscara, possamos estabelecer relações menos superficiais e nos enriquecer com o que o outro carrega dentro de si.
Essa é mesmo a intenção Eduardo. Bom saber que não estou sozinha nessa busca ;)
Que a gente se cruze por ai e mesmo sem se conhecer, posso estar aberto para aquele olá educado.
Abraço!
[...] This post was mentioned on Twitter by Eduardo Baldan and Agencia Valente, Nathalia Fortes. Nathalia Fortes said: RT @AgenciaValente [blog]: Impressão 1/3 http://bit.ly/3UbCqb [...]
Eu sou parceira em divagar, inclusive sobre essa cidade de contrastes.
Só to achando que vocês precisam de mais pesquisa de campo :)
Espero vocês logo.
Parabéns pelo site, o blog, as idéias. Vcs são demais.
Beijos!
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Viagens que a gente gosta de compartilhar. RT @AgenciaValente [blog]: Impressão 1/3 http://bit.ly/3UbCqb
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